Joana era uma mulher independente, casada, excelente mãe, excelente filha e trabalhava numa empresa com uma função que não a completava psicologicamente, sempre desejou muito mais para si, mas o seu curso não era nem de perto nem de longe uma saída profissional, como milhares de Joanas pelo país....a sua vida era rotineira, acabava por ser uma verdadeira canseira! Os dias eram quase sempre iguais, aturar um chefe que nada lhe dizia, cumprir o seu horário profissional, chegar a casa e iniciar as suas tarefas como mãe, como dona de casa e como mulher.....não era pessoa de se arranjar, nem nunca pensou muito nisso, até achava uma futilidade, ela era muito mais de aventura e cultura mas com as dificuldades financeiras os seus interesses ficavam sempre para último, começou então a rotina e a dada altura olhou para a sua vida e precisava de mais.....
Inexplicavelmente existia um colega no seu escritório, que há uns tempos para cá até lhe dava mais atenção, era giro e deixava-a desconfortável, afinal era a única coisa divertida ao longo do seu dia de trabalho.....era vê-lo passar! Que corpo, que pernas, que rabo.........que aspecto fantástico..........passaram muitos meses e a dada altura Joana estava diferente, parecia outra mulher! Arranjava-se mais, sentia-se muito mais mulher, mais forte mais bonita mais amada tudo estava melhor, tudo se tolerava muito melhor.........excepto em casa. Amava o seu marido, amava a sua função de mãe, mas sentia um peso enorme na sua vida, na sua consciência, nos seus valores, afinal quem era ela??? Se por um lado toda a gente lhe dizia que estava muito melhor, até o marido, porque seria que se sentia tão mal consigo própria? Porque será que tinha dias tão tristes que olhava para casa e se perguntava a si mesma, se merecia aquela família, em quem seria que se tinha tornado?
Se por um lado se sentia muito mais segura, por outro tinha dias que se culpava brutalmente e se martirizava e só perguntava a si própria, quando é que isto acaba?? Afinal Joana tinha-se envolvido com o seu colega e era uma relação, se é que podemos chamar relação sem qualquer compromisso, sem qualquer futuro.........mas nenhum dos dois conseguia largar o outro! Seria apenas físico? Mas já dura à tanto tempo.....como pode ser só físico? Joana não podia pensar muito nisso, afinal chegava a casa e cumpria tal e qual as suas obrigações de mulher, nunca houve qualquer desconfiança, será que o marido fazia o mesmo? Era uma forma de não se culpabilizar tanto......
O seu colega não exigia nada, afinal ele também era casado e pai......que tipo de homem seria ele em casa? Que mulher teria ele para nem desconfiar que ele tinha outra pessoa?? Será que ela sabia??
Joana tinha muitas questões sobre ele, sobre a família dele..........mas nunca lhe perguntou nada, sabem porquê? Porque a seguir seria ele que lhe iria perguntar e ali não havia intimidade "emocional" havia apenas o prazer carnal..........e garantidamente que lhe fazia muito bem ao corpo e à mente, ela não queria mais que isso, sabia que nunca iria funcionar, até porque era muito mais velha que ele........mas na vida não podemos ter o bom de dois mundos! Ela sabia que um dia se ia descobrir, ou ela própria iria rebentar.....nada na vida é eterno, tudo é um ciclo com principio meio e fim! E se por um lado muito de bom lhe dava este "caso" muitas preocupações e culpas sentia em cada dia que se envolvia!
Todos nós precisamos de sair da rotina, e não somos ninguém para criticar o próximo, até porque não sabemos o dia de amanhã, mas por vezes quando nos metemos nas situações, temos que pensar como vamos sair delas sem magoar o próximo e acima de tudo nós mesmos.........se por um lado é fácil para um virar as costas, nem todos somos iguais! E não é fácil para todos iniciar a vida do zero.......ás vezes a vida prega-nos partidas que nem nós sabemos como sair delas, inclusive sentimentalmente........
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