quinta-feira, 10 de maio de 2012

Rotina interrompida de Sara......


Musica do dia: Alphaville

O despertador tocava de novo, parece que tinha dormido 5 minutos, era uma desmotivação só de pensar que tinha que acordar, levantar-se, cuidar dos filhos e apanhar os transportes para um sitio tão desmotivante.......era uma terça-feira de novembro, chovia torrencialmente lá fora e eram 6 horas da manhã, quando começava toda a sua rotina matinal, preparar lanches, tomar banho, deixar os miúdos em escolas diferentes e apanhar 3 transportes para o seu local de trabalho.....tudo isto para chegar ás 9 horas da manhã e assim conseguia sair ás 18 horas. Sara questionava-se diariamente o que tinha acontecido aos seus sonhos, afinal sempre imaginou ser uma professora universitária de sucesso e não passou duma administrativa cheia de sonhos e frustrações à mercê dum chefe mal comportado, abusivo da sua condição de mulher bonita, culta e interessante mas sem qualquer alternativa. Todos os dias se questionava, sobre o que fazer e como resolver a sua condição precária profissional, mas não podia fazer nada, afinal era o ganha pão de 3 pessoas no seu apartamento deixado pelo seu segundo marido, ao menos isso........depois de tudo o que a fez passar deixou-lhe um apartamento livre de prestações, senão como seria e como viveria ela?

Sara, era uma mulher sozinha com dois filhos ao seu cuidado, ainda por cima de pais diferentes, infelizmente a vida não foi sorridente com ela na parte amorosa. O primeiro deixou-lhe um filho lindo louro com os olhos verdes, ela até se questionava como é que a aberração do seu primeiro marido lhe tinha dado um filho tão doce tão bonito e tão bom aluno....um verdadeiro companheiro. O seu filho mais pequeno era filho dum diretor duma empresa, um verdadeiro executivo de sucesso, seu segundo marido, cheio de virtudes mas que tinha emigrado e a relação não conseguiu sobreviver, afinal ele arranjou uma segunda família e este seu filho era uma dor de cabeça, mal comportado, violento na escola, parecia mal amado e quanto mais ela o aconchegava a si mais rebelde ele se tornava, nunca aceitou a separação dos pais.

Nessa manhã chega ao escritório, curiosamente antes da hora e repara que a aporta do seu chefe estava ligeiramente aberta, algo de estranho já que estava sempre fechada a sete chaves, como se guardassem ouro naquelas quatro paredes........Sara resolve investigar e aproxima-se da porta ligeiramente aberta e bate com muito cuidado, não obtém qualquer resposta e de repente foi como se o mundo acabasse ali........ao abrir ligeiramente a porta vê o seu chefe caído em cima da secretária, com uma pistola na mão e uma poça de sangue enorme na secretária na cadeira, no chão nas paredes e em toda a documentação.........ele estava morto! Não havia duvidas........Sara gritou que nem uma louca, apesar de ser um chefe ordinário, sempre a babar-se para cima dela e dos seus elegantes decotes, ninguém merece um fim trágico destes! O que o levou a tomar aquela atitude? Porque o fez? Será que o fez? Ou será que alguém o fez por ele?

Não há descrição o que é ver alguém morto à nossa frente, a cor da pele, a temperatura gélida do corpo, o ambiente e energia triste que se sente naquela proximidade.........Sara não dormiu noites e noites seguidas, porque aquela imagem não lhe saia da cabeça, uma imagem fria e triste para qualquer ser humano acabar os seus dias......

Após meses de investigação da policia judiciária, e muitos interrogatórios, chegou o veredicto final, o chefe mal comportado de Sara além de director da empresa tinha ligações com a máfia de leste e uma rede de prostituição que levava mulheres para o Brasil. Como é possível trabalhar com alguém na gestão duma empresa tão normal e natural, descobrirmos depois que as pessoas que nos rodeiam são tão obscuras, cinzentas e desprovidas de valores? Que arrepio sentiu Sara, quando lhe foi transmitido que a empresa de exportação de produtos nacionais ia ser encerrada para indeminizações ao Estado........o que ia ela fazer para cuidar da sua família com uma crise como a que vivemos atualmente. Só ia viver com o ordenado mínimo?.....o que ia ela fazer para alimentar as suas crianças e dar-lhes educação???


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